Dia Mundial de Combate à Desertificação

IMG-20150612-WA0038No dia 17 de junho comemoramos o Dia Mundial de Combate à Desertificação, data escolhida, em 1994, pela Assembleia Geral da ONU. Este dia foi aprovado para que aumentasse a sensibilização da opinião pública sobre a necessidade de promover a cooperação internacional no combate à desertificação e aos efeitos da seca.

Para entendermos melhor sobre esse tema, o professor de Geografia Física do Instituto Dom Barreto, Ennes Raulino, explica, detalhadamente a respeito, citando as causas e efeitos da Desertificação.

“A desertificação é um fenômeno antrópico. Ele é promovido por uma ação incorreta do uso do solo sobre um ambiente frágil do semiárido. O ambiente do semiárido não vai, ao ser tralhado pela ação humana, produzir uma recuperação sem um tipo de ação coletiva. Por exemplo, a desertificação se entendia, por muito tempo, como uma paisagem perdida.

Hoje, há um processo de recuperação com as voçorocas, porque elas se manifestam com a perda do substrato fértil, ou que pelo menos é utilizado pela ação do homem com o desmatamento, criação de gado, com pisoteio, o garimpo, a coleta da lenha. Então, todas essas ações, de forma não planejadas, podem causar uma laterização do solo. Quer dizer, a retirada da camada superior do solo com o solo propriamente dito. E a desertificação ela é típica do processo da região semiárida.

No Nordeste, três estados sofrem bastante com essa situação. São eles a Paraíba (região oeste), o Ceará e o Piauí. No nosso Estado se caracteriza nos municípios de Gilbués e Monte Alegre do Piauí, exatamente, pelo processo de garimpo, de diamante, pela coleta da lenha como matriz energética. Isso promove situação, tanto de impacto ambiental como de impacto socioambiental. Ambiental, porque há um desequilíbrio do bioma, da paisagem. E socioambiental porque as pessoas que moram nessa região são muito carentes, e são incapazes de combater de forma devida esse fenômeno.

Então, como o solo não pode mais produzir o alimento, eles produzem o êxodo rural, o abandono da terra e a esterilização do próprio espaço. Ele fica inapropriado, desabitado e devastado.

A desertificação faz com que o solo fique inapropriado para agricultura, porque todas aquelas camadas férteis, de utilização do solo, por conta de maus tratos, se vão com as enxurradas. Porque o solo fica desprotegido com o desmatamento. A primeira parte é o desmatamento, a retirada da cobertura vegetal. Então, como esse solo é frágil, fica sujeito à ação do meio. Uma enxurrada, por exemplo, sobre esse solo que foi pisoteado e foi retirada a formação vegetal, se perde totalmente. E a consequência é que se agrave mais.

E como se caracteriza? Com grandes buracos, que vão caracterizar o que chamamos de voçorocas. Só com o auxílio de uma tecnologia mais avançada, de plantação, de espécie nativa, pode-se resgatar isso. O morador mesmo da região, de baixa renda, ele é incapaz. É por isso que em muitas literaturas se afirma que a desertificação é um processo definido. E não é.

Hoje, já existe tecnologia para recuperar estes danos. Agora é preciso de custos e a população que geralmente mora em uma região semiárida, de estepe – como por exemplo, um dos grande problemas da África, que é o Sarrel, um região extremamente pobre – sofre o processo de desertificação exatamente pelas queimadas, pelo uso contínuo e pelo pisoteio de animais. Então, torna-se irrelevante recuperá-la pois eles não possuem condições financeiras para repor aquilo que já foi degradado. Portanto, a questão da desertificação parte disto.

A data foi criada para a conscientização de governos, instituições, e até mesmo ONGs, em auxílio e ajuda técnica e tecnologia para recompor e assegurar o homem no campo, para que ele não abandone-o por conta do processo de desertificação, e sim, combata e conviva até a recuperação plena e total.”

Paz e Bem!