O maior aliado da inclusão da pessoa com deficiência é a tecnologia

Hoje é o Dia Nacional do Sistema Braille. A data foi escolhida como forma de homenagear José Álvares de Azevedo que é Patrono da Educação para Cegos no Brasil, por sua contribuição à comunidade cega.

O termo Braille tem origem a partir do sobrenome do francês Louis Braille, criador do sistema. Nascido em 1825, Louis Braille perdeu a visão aos 3 anos de idade e foi ele quem aperfeiçoou o uso desse sistema que antes era restrito ao serviço militar. Composto por seis pontos, divididos em duas colunas de três pontos, ele é capaz de formar 63 combinações. Os códigos, feitos em alto relevo, representam as letras do alfabeto, números e símbolos. 

 

O Cotidiano

A maior dificuldade das pessoas cegas está na falta de meios, como a adoção do Braille, que facilitem a vida.

No Piauí, a Associação dos Cegos (ACEP) trabalha com a inclusão no mercado de trabalho e também educacional. Solange Maria, assistente social da Instituição, conversou com o site IDB e nos contou sobre o trabalho da entidade: “Atuamos desde 1967 de forma filantrópica, atendendo desde o público infantil, com a Escola Infantil, até o público adulto com trabalho de habilitação/reabilitação”. Mesmo com as dificuldades, Solange é otimista: “a tecnologia avançou e, atualmente, ajuda com novos equipamentos e programas que facilitam a nossa vida. Hoje, existem pessoas com deficiência visual nas universidades e já atuando no mercado de trabalho”.

 

Lição de Vida

Encontramos um exemplo de inclusão no mercado de trabalho no Instituto Dom Barreto. Rosa Maria Rodrigues da Rocha, telefonista do IDB há quase 20 anos, é um modelo não só de inclusão, como também de lição de vida. Simpática e bem humorada, ela conversou brevemente com o  nosso portal: “eu me adaptei bem rápido às atividades aqui do IDB, minha função exige agilidade e consigo fazer os atendimentos só com o teclado do telefone. A tecnologia melhorou muito, pois tem uma estrutura favorável para o deficiente visual”,  comentou a funcionária, exemplo de vida e de boa vontade.

 

Tecnologia à Serviço da Inclusão

Encontramos um modelo de inclusão através da tecnologia. A interação entre o mundo real e o digital está cada vez mais entrelaçado devido ao uso de sensores que estão cada vez mais espalhados em todos os lugares, desde carros, aviões e até dentro de concreto e que estão gerando uma imensa quantidade de informações que podem ser passadas para melhorar um produto, já que seus sensores podem gerar feedbacks dinâmicos sobre o seu desempenho que serão depois repassados para a análise do projetista que poderá utilizar os resultados para melhorar o design.

 

 

 

 

 

E para mostrar o compromisso com o fomento da criatividade e inovação, empresas investem em produtos de inclusão social, como é o caso do TOGOTOY, criado por dois estudantes universitários com um dos softwares da empresa, com o apoio da Fundação Autodesk. É um brinquedo de inclusão social voltado para crianças com baixa ou nenhuma visão na faixa etária entre 4-10 anos. O nome Togo (統合) é de origem japonesa e significa integração.

Esse produto foi desenvolvido pela dupla  Vitor Yamashita Akamine, estudante do terceiro ano de Engenharia Elétrica/Mecatrônica da USP, e Giulia Yosue Kawakami Pereira, também terceiranista do curso de Design Gráfico da UNESP de Bauru-SP

 

 

 

 

 

 

O TOGOTOY lembra vagamente cubos de madeira com letras usados na alfabetização de crianças, só que, neste caso, cada bloco representa uma palavra que também é representada na forma de um símbolo, com o nome em caracteres latinos e no alfabeto Braille. Essas inscrições são em alto relevo para facilitar a identificação por meio do tato e em cores de alto contraste, facilitando a leitura por crianças com baixo nível de visão. Fora isso, esses blocos podem ser encaixados lado a lado e até empilhados, o que permite a formação de uma narrativa.

 

 

 

 

 

 

A ideia por trás desse brinquedo é permitir que crianças com e sem alguma deficiência visual possam interagir juntas, criando assim suas próprias histórias e brincadeiras de maneira colaborativa.

Segundo Vitor, a ideia original foi da Giulia, mas ambos trabalharam juntos para bolar o primeiro protótipo e imprimi-la em 3D num Fablab de São Paulo. Mas como qualquer protótipo, a primeira versão era mais uma prova de conceito que serviu para realizar os primeiros testes de campo e receber os primeiros feedback para aperfeiçoar o produto dando origem a versão com blocos empilháveis e, depois, de mais testes de campo e novos feedbacks. O produto foi ganhando novas formas e funcionalidades, sendo que a última versão ainda só existe no mundo virtual, desenhado no Fusion 360 da Autodesk:

O produto ainda não está finalizado já que ainda existem novas ideias que Vitor e Giulia gostariam de implementar no brinquedo, como, por exemplo, representar ideias mais complexas e/ou abstratas por meio de formas ou texturas como “bonito/feio”, “feliz/triste”, “certo/errado” de modo que o trabalho está em andamento.