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O dom dos dias

Um pouco da nossa história

Em 2027, o IDB comemorará 83 anos. É sempre tempo de agradecer. É sempre tempo de agradecer, sobretudo, porque uma escola é feita todos os dias.

Sim, uma escola é feita de encontros todos os dias, a exemplo deste que provavelmente esteja acontecendo agora, enquanto você(s) lê(em) este texto.

Sim, uma escola é feita de encontros todos os dias, a exemplo daquele que as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado fizeram há oitenta anos com Teresina e com os teresinenses e igualmente daquele outro que aconteceu no início dos anos oitenta, com o jovem e paraibano professor de matemática, Marcílio Rangel.

Atividades da comunidade escolar
Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado
Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado
Comunidade em encontro

Sim, uma escola é feita de encontros e escolhas todos os dias, escolhas que fizemos, escolhas que decidimos renovar e/ou refazer ao longo desses oitenta anos. De modo que, se você(s) já é(são) dombarretano(s) – para a nossa imensa alegria –, nossa casa é sua, mas não é mais exatamente a mesma Casa.

Sim, uma escola é feita de encontros e escolhas todos os dias, mas também de desencontros, porque uma escola é casa e comunidade. Uma escola são muitos e cada um desses muitos é único – aprender cotidianamente a conviver com pluralidade é o nosso propósito e a nossa maior riqueza.

Sim, uma escola é feita de desafios todos os dias, e por isso ela é sempre nova, o que, por contraste, realça a importância das tradições que vão sendo recriadas, reinventadas, ressignificadas. De que outro modo poderíamos nos manter ao longo do tempo?

Sim, uma escola é feita de professores e alunos todos os dias, e suas conquistas diárias enormes e/ou miúdas são nossa maior alegria. Por isso o presente, o tempo presente, é sempre um presente: "novo em folha", verde e verdejante. Para os professores e seus alunos, uma escola é, igualmente, esteio, chão-barro, pegada e guia; e é também conquista e terra do "bem-virá". Escola é caminho e sonho.

Sim, uma escola é feita todos os dias por muitas pessoas/profissionais diferentes, cada um exercendo papéis diferentes, como uma orquestra que se esforça para não desafina... mas como é difícil. Por isso, na escola, é preciso muitas escutas e muitas conversas, reuniões, planejamentos, debates de ideias, estudos, leituras, rotinas e inventividades... e tudo isso mais uma vez, e mais uma vez, e mais uma vez... Sim, uma escola é feita por pessoas que se complementam, mesmo quando desafinam. Cada um, professores e alunos, vários e únicos. Imprescindíveis todos.

Sim, uma escola é feita de pais, mães, avós, tios e irmãos mais velhos que cuidam, que observam, que apoiam, que acompanham, que vibram e se emocionam, que se preocupam, que fazem críticas, que discordam e que são parceiros. Por isso, para eles, a escola é igualmente esteio, chão-barro, pegada e guia, e terra do "bem-virá". Escola, além de caminho e sonho, é também espaço de inclusão.

Sim, uma escola é todos os dias gratidão pelo vivido no passado e no presente, por isso todo dia é tempo de comemorar as conquistas, de viver o desafio do presente e de sonhar o futuro, porque todo dia uma escola se constitui escola na sinonímia com o sonho. E os corações dombarretanos nunca param de sonhar.

Sejam, todos e cada um, muito bem-vindos.

Nossas raízes,

ou um pouco mais da nossa história

Em 2006, quando o professor Marcílio Rangel foi ser diretor da escola dos anjinhos, como explicou Raquel Brandão e Mendes Pinheiro, as crianças nos deram um grande e inestimável presente: transformaram as folhas dos algodoeiros que nos cercam num símbolo de uma escola que as recebe diariamente com amor.

Tomando como referência essa linda metáfora, resta-nos falar da alegria de ser comunidade, essa árvore de raízes profundas, galhos frondosos e brotos fresquinhos, que se tornou símbolo do que fomos e do que somos, renovados e acariciados pelo tanto que essa metáfora traduz: somos uma escola feita de amor, por amor, com amor.

Agradecemos às primeiras sementes que, longe no tempo, frutificaram da amizade entre um bispo e uma Madre: Dom Barreto e Maria Villac. Agradecemos aos primeiros brotinhos: Ir. Martha, Ir. Ana Maria, Ir. Alaíde, Ir. Raimunda, Ir. Alice, Ir. Luiza, Ir. Mariana e Ir. Jacira, que no ano de 1944, tempo marcado pela desesperança do pós-Grande Guerra, saíram de Campinas, em São Paulo, para inventar o futuro que agora nos pertence: o Instituto Dom Barreto. À sombra desses brotinhos alimentados pelas boas águas do Parnaíba – nosso Velho Monge – e sob o acolhimento dos teresinenses, vieram muitas outras, e não pararam mais de vir: Ir. Ruth, Ir. Lourdinha, Ir. Esmeralda, Ir. Welma, Ir. Sonja, Ir. Iracema, Ir. Eliete, Ir. Orlany, Ir. Casilda, Ir. Sales, Ir. Gevita, Ir. Jesus, Ir. Consuelho e tantas outras. Por estas plagas, elas viveram e falaram de amor com todo o amor que tinham no coração pelo seu Jesus Crucificado.

1984: novos ramos

Em 1984, o professor Marcílio Flávio Rangel de Farias assumiu a direção do Instituto Dom Barreto e, concomitantemente, criou a Casa Dom Barreto. Na estrutura desse movimento casado, estavam uma convicção, "Toda criança tem que brincar e estudar", e uma esperança". Um dia haverá girassóis em todas as janelas / e todos os girassóis terão direito a se abrirem, mesmo na sombra". E, mais uma vez, o IDB se enraizou, floriu, frutificou, pois a ele se somaram muitos outros, inumeráveis, incansáveis, que foram e que continuam sendo colo, abrigo, força e criação.

Com o professor Marcílio, aprendemos que tudo o que se vive na escola deve nos interessar muito: cada gesto, cada palavra, cada silêncio, cada sorriso, cada dúvida, cada alegria, cada dor, cada resposta e cada recusa, cada encontro e cada desencontro, porque, para ele, todos nós éramos pessoas únicas e muito especiais.

Com ele aprendemos todos os dias que "O que vale é a amizade / foi sempre o que a gente fez / E por esta amizade, faço tudo outra vez". Por isso, nossa missão é cuidar para que tudo o que se vive na escola seja importantíssimo, para fazermos um mundo melhor, mais bonito, mais justo, mais harmonioso, mais alegre e mais casa. Um mundo de águas limpas e abundantes, com muitas florestas e parques, com crianças e adultos protegidos, amorosos e alegres. Um mundo sem fome e sem guerras e com todas as crianças na escola, numa linda escola.

Sim, somos, todos os dias, assim mesmo: esperançosos e sonhadores. Sim, acreditamos que todos e cada um que aqui chega vêm para fazer do mundo casa e abrigo para todas as crianças.

Como acreditamos nisso? Ah, somos alimentados, estimulados, desafiados por cada memória que nos alimenta como seiva e, sobretudo, por uma energia muito poderosa e muito transformadora que se espalha por todo o mundo e que vai incorporando muitos outros: A COMUNIDADE DOMBARRETANA, esta rede de afetos, de sonhos e de esperanças sempre renovadas, apesar das dificuldades, das dores e das perdas inevitáveis: "O que vale é a amizade / foi sempre o que a gente fez / E por esta amizade, faço tudo outra vez".

Foi assim que o professor Marcílio Rangel, Diretor da escola dos anjinhos e também Presidente de Honra desta Instituição, nos ensinou a pensar e a viver. Ele, que andava com uma foto sua quando criança no bolso, sabia ser leal e amigo e nunca desistia dos seus sonhos.

Celebremos, então, todos os amigos que alimentam a seiva dombarretana, reafirmando como manda a tradição: "O que vale é a amizade / foi sempre o que a gente fez / E por esta amizade, faço tudo outra vez".

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